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Cérebro possui mecanismo intuitivo semelhante às engines de jogos

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts sugerem que o cérebro humano possui um “mecanismo intuitivo de física” bastante semelhante às engines utilizadas por jogos. O estudo, intitulado de “Simulação de motor de entendimento de cena física”, afirma que modelos mentais baseados em experiências passadas são capazes de gerar “previsões”.

Não que as promessas feitas por videntes tenham finalmente encontrado sua tão almejada “explicação científica”. Acontece que o sistema descrito pelos cientistas refere-se a um mecanismo cerebral capaz de fazer “robustas e rápidas inferências sobre cenas naturais em que informações substanciais não podem ser observadas”, conforme afirma o próprio estudo publicado no volume 110 do periódico Procedimentos da Academia Nacional de Ciências (PNAS).

Testes

Este sistema nos permite “prever”, por exemplo, quando uma pilha de pratos está prestes ou não a cair. E esse exemplo não fora mencionado à toa. Os responsáveis pela pesquisa aplicaram testes de simulação e inferência a várias pessoas. As avaliações consistiram no seguinte: os voluntários se depararam com modelos em 3D de pilhas formadas por alguns blocos. Em seguida, a seguinte pergunta era feita: o monte vai cair?


Os sujeitos deveriam responder a pergunta indicando o grau de probabilidade de queda – o “medidor” usado marcava as chances de 1 a 7, que iam de “definitivamente não vai cair” a “definitivamente vai cair”. Foi perguntado também às pessoas a direção em que os blocos poderiam cair depois de uma chacoalhada na mesa virtual.

Explicação

A partir dos dados coletados, concluiu-se que entendimento do comportamento de objetos quando submetidos a determinadas situações baseia-se na observação passada de fenômenos – o que nos permite “prever” o resultado de certas situações mesmo quando apenas parte do fenômeno está sendo observada.

“Propomos um modelo baseado no ‘mecanismo intuitivo de física’, um motor cognitivo similar às engines de computadores que simulam ‘físicas complexas’ e gráficos em video games”, explicam Peter W. Mattaglia, Jessica B. Hamrick e Joshua B. Tenenbaum, cientistas responsáveis por publicar o estudo.


"O que aconteceu no passado, o que vai acontecer – a forma como esses julgamentos são baseados nestes [testes] de simulação é suportada por um ‘mecanismo intuitivo de física’. É um jeito muito poderoso de fazer essas previsões”, diz Battaglia.